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4 de Março de 2021

Bancário: o profissional adoecido e usurpado!

Bancrio o profissional adoecido e usurpado

Ser bancário já foi motivo de status e certeza de ascensão profissional e financeira mas hoje esses profissionais sentem na pele e na saúde um dia a dia amargo de pressões, assédio moral e desrespeito a direitos trabalhistas, o que vem tornando os bancários uma das categorias com maior índice de afastamento por doenças ocupacionais.

A lei garante aos bancários uma jornada de trabalho de seis horas, exceto para aqueles que exercem cargo de gerência, desde que este cargo de gestão de fato dê autonomia, além do adicional de 1/3 na remuneração. Ocorre que para fugir do pagamento de horas extras os bancos inventam inúmeros cargos de gerente sem qualquer autonomia, gerentes estes que são subordinados a outros gerentes e assim por diante, todos eles exercendo jornadas de oito ou até mais horas de trabalho. Pura falcatrua!

Outra realidade amarga desta profissão são as pressões para a venda de produtos bancários, como seguros. Essas exigências tornam-se extremamente estressantes e acompanhadas de metas inatingíveis, expondo muitas vezes o bancário a situações vexatórias de rankings e reuniões nas quais os funcionários são expostos a todo tipo de humilhação.

Trabalhando muitas horas por dia em condições ruins, digitando por horas seguidas sem os intervalos previstos em lei, acomodados em móveis inadequados como cadeiras e mesas não adaptáveis a suas necessidades, sem rodízios de funções e executando tarefas repetitivas, muitos bancários vêm sendo afastados do trabalho por doenças ocupacionais, como tendinite, problemas de coluna, além dos problemas psiquiátricos, resultados da rotina estressante de trabalho. Depois dos afastamentos, os bancos muitas vezes, de forma ilícita, tiram as comissões ou gratificações de funções dos bancários, diminuindo seus ganhos de forma significativa.

Bancrio o profissional adoecido e usurpado

Esses são só alguns dos exemplos dos corriqueiros desrespeitos dos bancos com seus funcionários. Mas há muito mais, como a alteração de remuneração com a retirada de anuênios, acúmulo de função, demissões arbitrárias e outros.

A justiça tem reconhecido o direito do bancário de receber as horas extras (7ª e 8ª) quando o banco desrespeita a legislação trabalhista e inventa nomenclaturas como gerente de negócios ou gerente de expediente, sem dar a autonomia que a lei exige para permitir o trabalho em jornada que ultrapasse a sexta hora.

A procura pelo judiciário também tem concedido aos bancários que ficaram doentes e incapacitados em razão das condições de trabalho, pensões mensais vitalícias no valor de suas remunerações, reajustáveis conforme as Convenções Coletivas de Trabalho, além de danos morais. Os bancos também têm sido condenados a pagar indenizações quando há comprovação de assédio moral.

Mesmo diante de milhares de condenações, os bancos continuam com a perversa forma de tratar os trabalhadores, adoecendo e usurpando os direitos dessa categoria.

A justiça tem sido firme e tem reconhecido os direitos dos bancários, obrigando os bancos a pagarem todos os direitos que foram negados se referentes aos últimos cinco anos de trabalho, contados do ajuizamento da reclamação trabalhista.

Se você conhece um bancário, compartilhe esse artigo com ele, ajude-o a lutar pelos seus direitos.

Saiba mais sobre os seus direitos: www.arraesecenteno.com.br


Priscila Arraes Reino - Advogada

Sócia Proprietária do Arraes & Centeno Advogados Associados - Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela EMATRA 24ª Região - Pós graduanda em Direito Previdenciário

12 Comentários

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Em uma mobilização de classe, ao defender pautas, poderiam pedir auditoria da dívida pública.

Classe trabalhadora unida, pela auditoria da dívida pública.

Os bancos cederiam ? continuar lendo

Uma trista realidade, os bancos são o câncer de uma sociedade!

Só lembrando que seguros não são "produtos bancários", cada qual tem a sua regulamentação e leis individuais, sendo atividades totalmente distintas. Vender seguro dentro de banco é o mesmo que montar uma sorveteria dentro de uma farmácia.

Os bancos burlam as leis que regulamentam a profissão de Corretor de Seguros, a qual não pode ser exercida por gerentes ou por funcionários públicos, como a Caixa e o BB e incorrem no crime de exercício ilegal da profissão.

O mais grave é a evasão de impostos para cidades paraísos fiscais no país onde o ISS chega até a 0,2%, ou seja, comercializam em um município e recolhem os impostos em outro.

O Ministério Público de Aparecida do Taboado-MS atualmente instaurou Inquérito Civil para investigar esta atuação ilegal das agências bancárias na venda de seguros. continuar lendo

Boa noite Gustavo!

Infelizmente é uma verdade. Os bancários vendem seguros e o fazem como produtos bancários e com metas inatingíveis.
No caso fizemos uma análise do ponto de vista do bancários, mas foram só alguns exemplos de ilegalidade praticadas pelos bancos e ainda que não possam fazer, por não ser um produto bancário, nossa análise não foi sob este aspecto.
Agradeço o seu comentário e as informações que nos trouxe, não tínhamos conhecimento do Inquérito Civil mencionado.

Obrigada,

Priscila Arraes Reino continuar lendo

Ótimo artigo, vou endereçar a um amigo ex-banespiano e depois ex-santander que sempre me falou que não via a hora de aposentar e sair desse inferno. continuar lendo

Bom dia José Roberto,

Obrigada pelo comentário.

Priscila Arraes Reino continuar lendo

Realmente, tudo isso ocorre porque nosso país não tem leis que de fato protegem a classe trabalhadora, o banco só vende esses seguros com a venda casada sequer conhecem o produto que vendem. Que brecha é essa dessas leis . Seguro é corretor e não com bancário sendo obrigado a cometer as ilegalidades de venda casada sem nem conhecer o produto. Falo pois já trabalhei com seguros e muitas coisas das vezes me deparei com segurados que foram ludibriados a adquirir um produto pelo qual não atendia suas necessidades. continuar lendo

Bom dia Rogério,

Os bancários são obrigados a vender seguros e outros "produtos" que o banco oferece aos clientes, eles não tem escolha. Não é questão de proteção dos trabalhadores, ao contrário. Se eles não vendem sofrem inúmeras pressões, e se trabalham em bancos privados até podem ser demitidos ao se recusarem a praticar as políticas do banco.
Os seguros foram utilizados somente como um exemplo, mas há outros exemplos, como financiamentos, empréstimos, aplicações etc.

Obrigada pelo seu contato.

Priscila Arraes Reino continuar lendo

Com certeza Priscila, boa tarde! Acho que os bancários são as maiores vítimas disso justamente por não existir leis que os protejam. Tens toda razão. continuar lendo